quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Atividade Física

O declínio das funções fisiológicas no ser humano começam por volta dos 30 anos de idade. É um declínio lento que começa a se evidenciar no débito cardíaco, na pressão arterial, na atividade respiratória, na flexibilidade entre outros fatores.
Entretanto é possível  manter parte da capacidade física, através de exercícios aeróbios. É comprovado que toda a atividade  com base neste tipo de exercícios melhora consideravelmente a condição das pessoas com mais de 30 anos.
A capacidade pulmonar não diminui com a idade, o que diminui é a capacidade vital, entre os 30 e os 70 anos de idade a superfície dos pulmões sofre um decréscimo de 25 a 30%, diminuindo conseqüentemente o nível de oxigênio no  sangue para que isto não aconteça é recomendável atividade física aeróbia.
Correr, caminhar, exercitar-se são atividades que proporcionam  consideráveis benefícios para todas as pessoas que estão ultrapassando a casa dos 30 anos de idade.
Para que esta afirmativa seja comprovada é necessária a atividade pelo menos 3 a 4 vezes por semana com uma duração de 30 a 40 minutos.
É recomendável que você antes de iniciar qualquer exercício faça uma visita a seu médico, para um bate papo e um check-up preventivo em esforço.
O coração também é um músculo que precisa ser malhado adequadamente.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Uma honra


Antonio Caires

As  medalhas são exemplo da superação de Antonio e de sua dedicação ao esporte.

Com muitas surpresa e de certa forma incrédulo, recebi a informação que todos os corredores  inscritos na São Silvestre, receberão suas medalhas de participação na prova do dia 31 quando foram retirar seus "kits", dias antes da prova.

Esta pratica é o oposto de “a ordem dos fatores não altera o produto”, o produto final ficará muito prejudicado, é um desrespeito as motivações de cada corredor, cada pessoa que durante o ano dedicou tempo, esforço para se apresentar em boas condições e qualidade física e emocional para após cumprir o percurso ter a alegria e a recompensa representada na medalha – o prêmio merecido após ter vencido as suas dificuldades e ter atingido o objetivo.
A participação tão importante para milhares de corredores tornou-se algo sem brilho – o prazer  e o orgulho de olhar para a medalha e sentir todo o esforço e satisfação que ela representa para  cada um  se esvaziou.
A medalha, o justo premio  pela participação e não simplesmente um item do Kit, seria menos desrespeitoso a não entrega de medalha, diminuindo o valor das inscrições.
Precisamos resgatar qual é o significado desta magnífica prova de rua, a mais importante do Brasil e que consta no calendário mundial como uma das mais tradicionais, não sou contra os avanços e a modernidade, sou a favor dos valores que devem nortear a pratica esportiva e valorizar os praticantes, a grande massa que da sustentação a realização a um evento como este me parece que esta sendo considerada como peça coadjuvante, de importância secundária, outras variáveis são mais valorizadas.
Participamos desde muito anos da Maratona de Nova York, e cerca de 40.000 corredores recebem suas medalhas após a prova em um dos lados do Central Park, em Milão na Stramilano  Popular correm 50.000 pessoas que terminam a prova na Arena Civica, um pequeno campo de futebol e todos os participantes recebem suas medalhas mais um kit com lanches -  lembranças.
Os 142 atletas de elite fazem parte do espetáculo no qual a grandiosidade maior é garantida pela participação do povão, de uma forma democrática congregando pessoas das mais diversas partes do pais – de diferentes profissões – nível cultural educacional.
A desculpa que a entrega iria atrapalhar a festa do reveillon  é uma forma de desprestigiar a São Silvestre, poderia ter sido planejado um local em um rua transversal da Paulista e cerca de 500 metros depois da linha de chegada.
O que é mais importante para milhares de corredores? Receber sua medalha depois de estafante espera no calor da largada e correr um percurso tão difícil ou assistir o reveillon.
Apego-me ao significado de honra, pois a medalha é uma honraria, o premio é uma honraria, significado de dignidade própria, consideração ou homenagem a virtude às boas qualidades do homem. Nada disso foi considerado  pela organização da prova quando decidiram um novo conceito para a MEDALHA, simplesmente faz parte do Kit....corra ou não.
Lamento muitíssimo e espero que para 2011 haja interesse em pensar numa solução mais inteligente e respeitosa.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Nossa usina

As vitaminas são micronutrientes orgânicos necessários para nosso desenvolvimento e manutenção da boa condição física.
Quando nossa alimentação é inadequada, as carências se manifestam, o grande perigo é uma atividade intensa junto com uma ingestão alimentar errada.


A administração de vitaminas não leva a uma elevação de rendimento mas a um aproveitamento real da condição física.
No exercício físico o  mais importante no metabolismo é a perda de sais pela sudorese, e também parte das vitaminas hidrossolúveis como a C e o complexo B as vitaminas A e E que são solúveis em gordura.
Em temperaturas altas  a perda pela transpiração pode chegar a 10 litros, esta perda hídrica é sempre acompanhada de sódio, potássio, cálcio, magnésio, o organismo já fraco e com o trabalho muscular, não consegue reter a água, estas perdas levam ao aparecimento de cãibras musculares.
Na maior parte das atividades musculares o aproveitamento energético é de 20 a 25 % grande parte da energia gerada surge na forma de calor, o que  ajuda é o nosso regulador térmico.
Na sudorese, a cada quantidade de suor expirada o rendimento físico diminui.
A perda excessiva de água pode levar a um estado grave de saúde.
Nosso corpo deve receber a energia que necessita de forma exógena (de fora ) a qualidade e composição dos alimentos são fundamentais no rendimento do corredor, são os carboidratos, proteínas, gorduras, minerais e vitaminas.
A energia deve ser armazenada e disponível para ser aproveitada pelos músculos no momento do esforço.
A alimentação deve ser entendida como qualidade e não como quantidade.
Tudo o que consumimos tem um tempo de metabolização, é comum em provas pedestres vermos na hora da largada um corredor tomando  alguma bebida, isto é um erro.
A hidratação deve ser feita em doses homeopáticas, a hiponatremia é um fato, não existem casos de óbitos em corridas por falta de água mas existem vários casos por excesso de água.
Boa São Silvestre para todos os participantes, os que vão buscar a alta performance, os que vão fazer o percurso trotando ou caminhando, fechando o ano com a realização de um desáfio.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Paixão pela S. Silvestre


Gaston Roelants - 1968
  Desde criança, sempre fui apaixonado pela São Silvestre. Quando entrei no Curso de Educação Física na FEFISA de Santo Andre, logo na primeira aula a professora de ginástica Maria fez a seguinte pergunta aos alunos:
Porque escolheram estudar e fazer o curso de Educação Física ?
Eu  respondi que queria me formar professor para ser técnico de atletismo e fazer um corredor brasileiro ganhar a São Silvestre, foi uma gargalhada geral, mas não tive receio de falar sobre meu sonho.
Desde criança, eu ainda morava na Lapa, todos os anos ia para o Pacaembu (não deviam ter trocado o nome) assistir os meetings que a Gazeta Esportiva organizava.
Cheguei numa dessas ocasiões pular o alambrado do estádio para pedir um autografo para o Kenneth Norris da Inglaterra, ao chegar na porta do vestiário um jovem jornalista da Radio Record, me parou e me perguntou aonde eu estava indo, era o Silvio Luiz, que por fim  me ajudou a conseguir o autografo do campeão inglês sobre o gesso do meu braço esquerdo fraturado.
Estas passagens podem ser simples para qualquer pessoa, mas são muito importantes para o sonhador.
A São Silvestre acontecia durante a noite, o que era realmente um marco da passagem para um novo ano, era  glamurosa, os atletas dos países convidados tinham uma faixa sobre a camiseta com o nome do seu pais, eram facilmente identificados pelo povo nas ruas.
A meia noite as famílias se confraternizavam, com apostas  assistindo a São Silvestre, umas das últimas corridas noturnas foi em 1983, junto com o jornalista Osmar Santos transmiti pela TV Globo a vitória de João da Mata do Clube Atlético Mineiro, o Jose João naquele ano não correu devido uma fratura no braço, em função de uma queda ocorrida nas vésperas da prova, em1985 ele voltou ao primeiro posto do podium.
Osvaldo Suarez-1958
Tenho uma opinião toda particular sobre a prova, primeiramente que o número de corredores seja restrito, como New York, que ela volte ser a noite, que as medalhas sejam entregues após a prova, que aquele número enorme de africanos e outros convidados não tenham apenas um número no peito, tenham também o nome do Pais que representam, afinal o público vai a rua para vibrar para torcer e nem sabe que são os atletas correndo.
Entendo perfeitamente  necessidade comercial dos organizadores, mas entendo também a necessidade de darmos aos brasileiros, principalmente aos jovens, cultura e educação esportiva.
Que os meetings após a S.Silvestre voltem e sejam feitos na Pista do Ibirapuera, o interesse comercial é tão grande que esquecemos a história da prova pedestre  que é a mais importante do mundo na opinião de campeões  italianos como Bordim, Fava, Ambu.
Quando vencemos em 1980, recolocando o Brasil no cenário atlético internacional, o Jose João venceu 17 países, aí então vimos a qualidade da prova naquele ano.
Sou amplamente a favor da participação de atletas quenianos, pois melhoraram o nível técnico, mas sinto falta da Alemanha, da Itália, de Portugal, da  Inglaterra, França, Japão, Grécia, USA, México, Bélgica entre muitos outros.
Tenho certeza que os próprios consulados arcariam com as despesas destes atletas.
A São Silvestre é um patrimônio do Brasil, que tem registrado em sua historia a participação de grandes atletas como Carlos Lopes, Manoel Faria, Franco Fava, Viljo Heino,  Abebe Bikila, Emil Zatopeck, Kenneth Norris, Oswaldo Suarez, Gaston Roelants, Martin Hymann, Franjo Mihalic, Stritof Drago, eram meus heróis e até hoje povoam minha mente.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Consolação X Brigadeiro

 Em 1973, o atleta bi campeão olímpico da Finlândia nos 10.000m, Lasse Virem veio ao Brasil para correr a São Silvestre, ele foi o quinto classificado naquele ano que teve como  campeão Victor Mora da Colômbia, em segundo lugar Palomares do México, Carlos Lopes de Portugal foi o terceiro colocado, para se ter uma idéia do nível da São Silvestre naquele ano, Gaston Roelants da Bélgica foi o sétimo colocado o melhor brasileiro classificado foi o José Romão de Andrade em décimo primeiro lugar.

    Aprendi com Lasse Virem uma lição que somente deu
    bons resultados e passamos a colher vitórias a partir de 1980. Assisti uma entrevista de Lasse Virem (foto) depois da prova e ele dizia que para "se ganhar a São Silvestre era mais importante saber descer a Brigadeiro Luiz Antonio do que tentar mudar o ritmo na subida da Consolação".
Naquele tempo a São Silvestre tinha o percurso ao contrario de hoje, descíamos a Brigadeiro, subíamos a Consolação.
A grande maioria dos corredores que disputarão a São Silvestre dia 31, esta preocupada com a subida da Brigadeiro, entretanto o segredo não esta nesta difícil subida, o segredo esta na descida da Consolação onde atletas menos experientes, entusiasmam-se com a descida e tentam se posicionar na frente já nos primeiros quilômetros, isto é um erro.
Na preparação do nosso bi campeão da prova o Zé João, que subiu ao "podium" cinco vezes, a nossa preparação era de estabelecer um ritmo constante na descida da Brigadeiro, sem ansiedades ou excessos, guardando energias físicas e mentais para subir bem a Consolação, tanto é que em 1980, quando venceu a prova acabando com um jejum de 34 anos de vitória do Brasil, subiu a Consolação em terceiro e quarto lugar, somente superando o atleta da Alemanha pouco antes da Paulista, e vindo para cima do Mamede de Portugal e do colombiano Salazar já perto do Masp, faltando 650 metros para acabar a prova.
O segredo para esta vitória foi equilíbrio de ritmo na descida da Brigadeiro e não a tentativa de se superar na subida da Consolação.
Os corredores que aspiram bons resultados, devem se preparar para atacar a Brigadeiro, mas somente terão sucesso se souberem descer comedidamente a Consolação.
 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

No limite ...o equilíbrio

O corredor de fundo deve ter sempre em mente que sua vida é cercada de hábitos e condutas diferentes de uma pessoa comum.
Os treinamentos diários, a alimentação, o cuidado com a saúde, o material esportivo, os horários diferenciados levando a um estilo de vida que não permite muita atividade social, é preciso dormir cedo para acordar cedo, não é recomendável a ingestão de bebidas alcoólicas, participar de eventos muito agitados e barulhentos “baladas”.
Acontece que quando o atleta não tem alguma estrutura e orientação e seus resultados técnicos começam  a evoluir, ele entra em um limite perigoso tanto físico quanto mental.
A medida que ele verifica a possibilidade de ser um corredor de ponta, pois seu potencial começa a lhe dar um norte, o nível de ansiedade começa a ficar exagerado, e  começa a tentar se superar em tudo o que esta conseguindo, tanto em treinos como em competições.
Começa a ultrapassar as quilometragens estabelecidas no seu plano de treinamento, começa a achar que seu técnico, seu personal, seu professor, não o força suficientemente, que os exercícios poderiam ser aumentados.
Socialmente começa a se tornar inconveniente, quer ser o alvo das atenções, começa a ter atitudes radicais, o lado critico vira marca de sua pessoa, a humildade já não mais existe.
Estes excessos somados ao supertreinamento, "overtraining", faz dele um Don Quixote,  seus moinhos de vento passam a ser as medalhas, os troféus, os resultados e por ai afora.
Facilmente identificamos este tipo de corredor, pois alem dos fatores já mencionados, ele começa a apresentar traços de envelhecimento precoce, seus resultados começam a entrar em uma curva descendente,  enfim ultrapassou seus limites.Conhecemos dezenas de atletas  com estas características.
Portanto dou um conselho CUIDE-SE, EQUILIBRE-SE!!!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

São Silvestre 2010


Enquanto o dia 31 de Dezembro se aproxima, milhares de corredores começam a refletir sobre a corrida que farão no último dia do ano, na verdade é uma espécie de vestibular para 90% dos participantes desta mais importante corrida de rua do mundo.
Na reflexão de cada um começa a análise de seu estado físico, psicológico, e o controle natural da ansiedade que com certeza já esta acontecendo.
Existem fatores que reduzem o rendimento como por exemplo: forma de vida,  meio ambiente, estado de saúde. Como técnico com muitas  S.Silvestres feitas e vitoriosas, faço uma pequena lista para o corredor analisar:
  1. Descanso noturno insuficiente, vida diária irregular,consumo de álcool e nicotina, conviver, com barulho, aglomerações, iluminação insuficiente, falta de tempo livre, vida sobrecarregada de tarefas, supersolicitação dos familiares, tensão com esposa, filhos, sogra, cunhado, vizinhos, tristeza no amor, ciúmes, dissabores profissionais, falta de vitaminas,  notas baixas na escola, excesso de estímulos com televisão e internet, febre, resfriados, problemas com alimentação. Procure verificar o que você pode excluir de tudo isto, quanto mais itens você eliminar melhor performance terá.
  2. Pense, você vai participar da prova pedestre mais importante do ano.
    Vá como atleta seja qual for sua qualificação, tênis, calção, camiseta.
    Não se exponha ao ridículo, usando fantasias para aparecer, não estamos num baile á fantasia, corredor é corredor, seja o campeão de sua rua, de sua casa de sua família, de você mesmo.
  3. Faça o percurso de 15 km com equilíbrio, ritmo, guarde energias para subir bem a Brigadeiro e entrar na Paulista, de cabeça erguida e vitorioso, seja positivo.
  4. Alguns,  corredores na hora da largada saem feito crianças a toda velocidade, para que? Afinal são 15 km de esforço, em qualquer posição estabeleça a sua corrida  não o ritmo dos seus adversários.
Vamos lembrar da filosofia de Pierre de Coubertin
“ o importante é participar”.
Faltam 10 dias, desejo uma boa São Silvestre, ouvindo a Jovem Pan onde Wanderley Nogueira e eu estaremos com toda a equipe da rádio lhe incentivando.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Estilo de cada corredor

Na corrida de fundo o estilo é algo estritamente pessoal e por isso deve ser respeitado, quem teve o privilegio de ver o checo Emil Zatopek correr pode assegurar o que escrevo.
Claro que existe uma forma ideal para melhor desenvoltura da corrida, mas o fundamental é procurar o equilíbrio adequado para se correr com harmonia, ritmo, velocidade e sobretudo  sem desgastes mecânicos e uma economia adequada.
O corredor que conseguir a somatória de movimentos apropriados, talvez tenha atingido a forma adequada pra a sua corrida.
A criança quando começa a correr  não esta moldada segundo algum padrão de comportamento,  a medida que crescemos, vamos incorporando padrões e  desenvolvendo vícios de postura, de movimentos, tais como descordenação, contrações musculares, medo, receios,  respiração incorreta, isto é vai adquirindo padrões de conduta e de postura provenientes a educação e do meio social em que vivemos. Seguramente melhoras acontecerão quando o individuo iniciar treinamentos efetivos.
Cabe ao professor da pré escola e fundamental , sempre dentro dos hábitos a criança, orientar para qualquer mudança, forma de correr, respeitando as características individuais da criança.
O Professor, o técnico não devem impor ou sugerir uma forma padrão para todos de acordo com suas preferências pessoais.
Detalhes sobre erros de postura não devem ser sugeridos por atacado, as informações no treinamento com relação a postura de cada um devem ser passadas em doses homeopáticas, uma de cada vez, treino a treino, a postura de cada um é absolutamente particular, individual, e este universo deve ser respeitado.
O aspecto mais importante na mecânica e na postura do corredor é a descontração, o relaxamento.
O personal deve observar nos seus pupilo a necessidade de bochechas totalmente soltas, mãos semi- abertas, não tensas, movimentos soltos.
O corredor que for orientado dentro desta forma de postura, certamente apresentará melhor performance.

Carlos Ventura - Carlão

sábado, 18 de dezembro de 2010

A primeira vez no Brasil...

Christa Valensieck

Nós brasileiros temos como característica não preservarmos história, não valorizarmos acontecimentos passados,  o que vale é o momento.
Esta maneira de apreciar as coisas faz com que nossos jovens tornem-se cada vez menos conhecedores  do passado esportivo do Brasil, tão importante para nossa educação e cultura.

Sabemos sobre alguns ídolos do passado como Pelé, Ayrton Sena, é muito pouco diante de tantos outros. Esta falta de cultura esportiva é bastante ruim.
Observando este hiato que existe entre o passado e o presente, resolvi lembrar alguns fatos acontecidos no nosso atletismo.
Recordo a década de 1970, quando  aconteceram algumas  provas de atletismo pela primeira vez no Brasil e os seu vencedores, provas que vieram para desafiar alguns tabus em função do grande desgaste e desafios, mostrando alguns traços de preconceito e machismo dos brasileiros. Até então mulheres não participavam, no Brasil,  de provas de distâncias mais longas ou que exigisse um esforço maior como por exemplo os 3000 metros, 400 metros sobre barreiras.
Foi neste clima de desconfiança que um grupo de Técnicos e Atletas se atreveu a desafiar estes tabus. Minha atleta, Valdete Constantino da Silva da Equipe do General Motors de São Caetano, foi a primeira mulher a correr e vencer uma prova de pista nos 3000m, foi no  Esporte Clube Pinheiros a pista ainda era de carvão.

Naquele mesmo período aconteceu o Campeonato Estadual de Atletismo Junior na Pista do Constancio Vaz Guimarães ( Ibirapuera ) e pela primeira vez houve uma prova de 400m sobre barreiras, minha atleta Marli Alves Cardoso  do Esporte Clube Pinheiros venceu a prova estabelecendo record sul americano.
Como estamos nas vésperas da São Silvestre lembro que a primeira São Silvestre feminina aconteceu em 1975 e as  primeiras brasileiras que correram a SS  foram Mara Fuhrman de Santa Catarina quinta colocada com o tempo de 32'53",  Rosa Maria Aparecida de Sousa de São Caetano do Sul foi  a  sétima colocada com o tempo de 33'39",  Lidia Hotel  de São Bernardo do Campo oitava colocada com o tempo de 34'50".
A vencedora da 1ª S. Silvestre Feminina foi   Christa Valensieck da Alemanha Ocidental com o tempo de 28'39".


Carlos Ventura - Carlão

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Parabéns Tricolor


Quero também parabenizar o S.Paulo FC pelo aniversário de 75 anos, sem dúvida uma vida de Brilhantes momentos, forjada com muita força, dedicação e amor. Mas é bom lembrar de outros nomes que fizeram a grandeza desta agremiação, nomes muitas vezes esquecidos pela grande maioria dos brasileiros e são paulinos – quero lembrar dos grandes atletas que honraram as cores do tricolor: ADEMAR FERREIRA DA SILVA, EDER JOFRE, JOSE JOÃO DA SILVA, ANGELICA DE ALMEIDA, DIAMANTINO SILVEIRA. Participamos de olimpíadas de Helsinque, Melbourne, Seul, Atlanta, Los Angeles, Barcelona , levantamos cinturão de ouro…não somos só Futebol, não podemos cobrar do povo a lembrança que o próprio clube não exalta. 

Jose João da Silva

Parabens a todos aqueles que fazem parte desta grande história!!!
Ademar Ferreira


Diamantino Silveira

Eder Jofre



Mulheres Corredoras

Existem diferenças marcantes entre homens e mulheres no que tange a atividade física, é um grande erro de treinadores e personais compararem performances entre os sexos.
As mulheres possuem uma estrutura óssea mais leve e um porcentual de gordura maior, quando da mesma altura são mais leves que os homens e possuem menos força.
Culturalmente as meninas são orientadas e criadas para atividades físicas de menor intensidade e freqüência que resultam no futuro em maior sensibilidade nos tendões e ligamentos, estando sujeitas a contusões.
A atleta tem menor quantidade de glóbulos vermelhos que o homem, sua oxigenação é reduzida em relação aos homens.
Pelo fato de apresentar uma deficiência de ferro, suas performances são menores, o que pode ser amenizadas pela ingestão de vitamina C para uma melhor absorção do ferro.
Outros fatores confirmam a diferença nos treinamentos, por exemplo:
  • as mulheres tem os quadris mais largos, articulação das coxas e músculos das pernas em ângulo menor o que provoca um balanço lateralizado, tanto no andar como no correr.
  • A sudorese nas mulheres ocorre em espaços menores, sendo assim, elas necessitam de menor evaporação para melhor performance.
  • As mulheres correm mais suavemente, conseqüentemente com menor atrito, planta - ponta.
A mulher tem facilidade de impor um ritmo de corrida com resistência, descontração e objetividade.
As mulheres quando bem treinadas possuem uma ação de força nos quadris e no tronco diferente dos homens que trabalham os braços mais vigorosamente.
Considero os movimentos de extensão muscular das mulheres melhor que dos homens, estes possuem uma contração mais pronunciada.
É um erro querer tornar uma mulher corredora do mesmo nível que um homem, os homens são mais velozes, a mecânica de corrida da mulher faz com que ela seja menos exposta a contusões.
Independente dos pontos fisiológicos já citados, o mais importante é o aspecto comportamental em relação aos objetivos propostos para a melhor performance.
Treinei dezenas de mulheres de corredoras sobre barreiras a  maratonistas como Rosa Maria, Sonia de Oliveira, Eliana Reinert, Vania Cristina, Marly Cardoso, Fabiane, Angelica, Claudia Adolfo, Ana Claudia, Admilde, Conceição, Valdete, Walkiria, Elvira, Marta, Marilene, Kelly, Cristina, Terezinha, entre outras.
A mulher tem  sensibilidade e capacidade de enfrentar o sofrimento físico além de possuir um controle emocional que possibilita a superação das dificuldades e obstáculos impostos pelas provas de fundo, o que é um reflexo da vida normal de qualquer mulher no desempenho de seus diversos papéis sociais – profissional, mãe, atleta, etc.
Carlos Ventura - Carlão

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Cãibra

Não existe nenhuma pessoa e muito menos um atleta, amador ou profissional que não tenha sofrido problemas de cãibra.
Afinal, o que  é a cãibra e de que forma ela ocorre, como evitá-la?

Esta coisa indesejável acontece, às vezes sem que estejamos fazendo nenhum tipo de atividade física, podemos estar sentados, deitados, dirigindo, e ela vem de forma repentina, sempre de surpresa.
Para pessoas que correm ela é uma ameaça constante e perigosa.
A cãibra acontece repentinamente devido a um espasmo muscular, independente de nossa vontade.
Ela se origina da falta de hidratação adequada e a diminuição no nosso organismo de elementos como potássio, sódio, também devido ao esforço muscular excessivo, nossos músculo entram em situação estresse.
Para atenuar a dor e o desconforto, no momento que ela aparece devemos contrair os músculos que atuam no sentido oposto ao músculo que está com cãibra, denominamos estes músculos como antagonistas, este procedimento alonga o músculo que está dolorido, diminuindo a dor de maneira eficaz.
Para evitarmos o aparecimento de cãibras, devemos orientar nossos atletas, nossos alunos a:
  • fazer um bom aquecimento
  • um alongamento adequado
  • hidratação, antes, durante e após a atividade física.
Quando do surgimento desta incomoda visitante, é também aconselhável uma leve e lenta  massagem com pressão sobre o local dolorido, de forma circular.
Diante do pequeno problema como a cãibra, verificamos o quanto é importante a alimentação, principalmente dos atletas que a todo o momento estão testando sua performance física no limite.
A medida que você respeita seu corpo, hidratando-o, alimentando-o adequadamente, fazendo esforços devidamente programados, evitará estas situações delicadas e indesejável.

                                        Carlos Ventura - Carlão

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Boa São Silvestre 2010

Jose João na S. Silvestre

Há dias postei no blog sugestões de treinamento  para atletas que vão correr a São Silvestre pela primeira vez, seria uma injustiça não colocar algumas sugestões para atletas mais experientes que também vão participar da São Silvestre  e não tem uma orientação adequada:


dia 15- 10 a 12 km terreno variado FC baixa
dia 16- 8 a 10 x 400m entre 66" /70" recuperação da FC ( Pausa ativa) 5km terreno plano
dia 17- 12 a 14 km terreno variado FC baixa
dia 18- 12 x 200m entre 36"/42", voltando ao tiro na recuperação da   FC (Pausa ativa + 5km lento terreno plano.
dia 19- corrida longa e lenta de 18 a 22 km terreno variado.
dia 20 -repouso, apenas alongamentos
dia 21-Fartleck com alterações de 200 a 300m pausas 150 a 200m por volta de 12 km.


dia 22- 5km pela manhã - 8km à tarde terreno plano FC baixa
dia 23- repete dia 16
dia 24- 12 km FC baixa terreno variado
dia 25- repete dia 18
dia 26- 16 a 18 km FC baixa terreno plano
dia 27- trote leve e alongamentos por volta de 60 minutos.
dia 28- 5 x 400m entre 64 e 70" pausa de acordo com FC inicial.
dia 29- Fartleck curto variações entre 80 e 150 m terreno plano em 6 km
dia 30- logo cedo um trote leve de 30 minutos, com concentração para o dia seguinte.


dia 31- uma excelente São Silvestre, procurando fazer seu tempo sem se preocupar com ninguém, seu adversário deve ser você mesmo VENÇA - O
qualquer dúvida meu e-mail é : cgventura@uol.com.br

Carlos Ventura - Carlão

Flexibilidade

Define-se flexibilidade como a capacidade de movermos nossas articulações com uma boa amplitude. Quando um movimento de flexibilidade chega ao ponto máximo, denominamos como a posição final.
As lesões podem acontecer quando chegamos a posição final e forçamos a articulação alem de nossas possibilidade.
Nossos corredores de rua falham neste aspecto.
Quando o corredor de fundo,  de rua tem uma boa flexibilidade ele está menos sujeito a contusões.
Muitos corredores sofrem contusões principalmente após os 30 anos, pois quanto maior a idade mais dificuldade temos nos movimentos articulares.
É recomendável que todo corredor de longas distancias, faça exercícios de flexibilidade. Verificamos nos treinamentos de corredores de rua, durante o aquecimento uma grande falha, eles não fazem educativos de corrida, às vezes fazem o alongamento de forma inadequada, e nem não fazem exercícios simples de flexibilidade.
A técnica adequada de qualquer tipo de corrida acaba não acontecendo justamente porque o corredor não faz exercícios de flexibilidade principalmente.
As passadas na corrida, a resistência, a velocidade são sensivelmente prejudicadas pela falta de exercícios adequados.
Muitos corredores de fundo não fazem estes exercícios por completa falta de conhecimento e de orientação que deveriam ter.
Quando envelhecemos, e todos os jovens de hoje também envelhecerão, vamos diminuindo nossa capacidade de flexibilidade corporal. As mulheres são mais flexíveis em qualquer idade.
O processo para melhorar a flexibilidade é demorado e lento.
Nossos músculos devem ser alongados, um pouco mais que seu comprimento normal, por isto os exercícios devem ser feitos diariamente.
Quando você acordar de manhã, não saia rapidamente da cama, estenda o corpo da mesma forma que os cães e os gatos fazem logo ao levantar, este é o primeiro exercício correto de flexibilidade.
Mais flexibilidade para viver melhor.
Carlos Ventura - Carlão

domingo, 12 de dezembro de 2010

Paul Tergat, um verdadeiro campeão

Milão - 2001

Felizmente nosso amigo Paul Tergat, sobreviveu a um acidente automobilístico quinta feira, dia 9 de dezembro em Eldoret no Quênia, seu carro bateu de frente com um caminhão, o campeão teve escoriações na perna direita e na cabeça, mas para a felicidade de todos nós salvou-se, segundo ele foi um milagre não ter morrido.
Paul sempre foi um grande e particular amigo. Na década de 90 eu estava participando como técnico da Maratona de Praga, na Republica Checa, estava  em um carro da organização que seguia a frente dos corredores.
Ao meu lado um senhor de barba branca, era o técnico de Tergat, Dr. Gabrielle Rosa, médico cardiologista um dos melhores técnicos de maratonistas do mundo, proprietário de um Centro de Treinamento de Maratonas em Brescia, perto de Milão,  foi quando conheci este técnico de quenianos.
Perguntei a ele porque não enviava um dos seus atletas para a São Silvestre, muito gentilmente disse que entraria em contato com a organização para enviar um atleta queniano.
E assim um queniano chamado Paul Tergat começou vir ao Brasil para correr nossa principal prova pedestre, fiquei bastante feliz com a idéia que deu certo.
Dr. Rosa também veio, participou, de uma clinica que organizei e deu algumas diretrizes sobre treinamentos.
A carreira de Paul Tergat sempre foi maravilhosa, venceu a SS em 95,96,98,99,2000, na vez que perdeu teve um contra tempo na subida da Brigadeiro, mas alguns dias depois no Uruguai venceu a San Fernando demonstrando toda a sua técnica.
Este queniano super campeão foi medalha de prata nos 10000m na Olimpíadas de Atlanta (96) e Sidney,(2000).
Foi recordista mundial da meia maratona, em 96 com 59:22 na Stramilano, correu ainda Milão para 59:17 em 98 (record mundial) campeão mundial de Cross-Country em 95,96,97,98,99.
Quando vinha para a São Silvestre era sempre nosso companheiro, com Frederico filho do Dr. Rosa, também médico, para jantarmos na casa do José João ou nos confraternizamos na Churrascaria " Jardineira " na Av. dos Bandeirantes.
Certa feita após a Stramilano me disse que gostaria de falar comigo, com muita humildade trouxe dentro de uma sacola, uma pequena estatueta de um animal africano me disse que sua esposa Monica havia feito e que ele estava me presenteando.
Em um momento destes que analisamos um verdadeiro campeão, simplicidade, humildade e generosidade.
Devido a tudo isto estou prestando minha homenagem a um grande amigo, que sobreviveu a um acidente grave e continuará sendo exemplo para todos nós, técnicos, atletas, apaixonados por corridas.

Carlos Ventura - Carlão

sábado, 11 de dezembro de 2010

Indios na São Silvestre


Em 1982, A Gazeta Esportiva, convidou alguns índios da tribo Xavantes e Terenas para virem para São Paulo e correr a São Silvestre, eram cerca de 25 a 30 guerreiros, todos com suas indumentárias típicas, nos passeios, nos treinos na corrida, isto já havia acontecido em 1962.
O grupo era chefiado pelo vice-cacique Manoel Tsareio Tserewatsa, e eles vinham de São Marcos, na Barra do Garça em Mato Grosso
Esta idéia que achei brilhantíssima partiu dos empreendedores da Gazeta Esportiva Dr. Carlos Joel Nelli e do Dr.Olimpio de Sá, dirigentes e jornalistas esportivos de muita visão.
Recebi o honroso convite para dar uma supervisionada nos treinos que eles fariam, em um sábado de sol, por volta das 7:30 da manhã, alguns dias antes da São Silvestre, juntamente com outros 6 atletas da minha equipe, todos  humildes e colaboradores fomos para a Pista do Centro Olímpico de Treinamento e Pesquisa no Ibirapuera, fui buscar os 6 atletas colaboradores no meu velho fusca verde, bastante sujo e não muito cuidado.
Quando estávamos chegando nas imediações do Centro Olímpico, na Av. Ibirapuera, quase na esquina da Rua Pedro de Toledo, havia uma batida policial, fui parado e os policiais determinados perguntaram onde íamos, quem éramos, pediram documentos e eu estava sem, havia esquecido em casa.
Confesso que nossa aparência não era das melhores, corredores de fundo, professor de educação física, roupas  muito simples, chinelos, tênis de quem treina, ou seja, gastos, feios, enfim parecíamos 7 pessoas dentro de um "fusca" com aparência duvidosa.
Fomos obrigados a descer do "fusca" e colocados junto a cerca da Secretaria Municipal de Esportes, com os braços erguidos, começou a "revista".
Eu era o chefe da "turma", um dos policiais se dirigiu a mim e disse:
Onde os senhores vão?
Respondi inocentemente: vamos dar treinos para os Índios Xavantes, levei uma pancada de cassetete do gentil homem da lei.
Mas Deus sempre ajuda as pessoas, principalmente corredores de rua e professores de educação física.
Por uma incrível coincidência passava pela Av. Ibirapuera, nosso estimado amigo Julio Deodoro, hoje Superintendente de a Gazeta Esportiva, que parou se carro e dirigindo-se aos policiais disse:
São corredores com seu treinador e estão indo para pista do Centro Olímpico para treinarem os Xavantes convidados para a São Silvestre. Naquele momento com muita alegria percebi que estamos salvos.
São curiosidades do mundo do esporte, que nos dão mais vontade de lutar para conseguirmos nossos objetivos, lembro com muito carinho daquele dia, dos atletas que estavam comigo.
Devo esclarecer que todos nós cabíamos no "Fusca" e a policia estava cumprindo sua obrigação.
Carlos Ventura - Carlão

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Ultimos treinos para a São Silvestre



Hoje  estou passando sugestões para corredores que vão correr a São Silvestre pela primeira vez.


Faça uma bateria de avaliações, um check-up, eletrocardiograma em esforço, um hemograma, anemia, distúrbios renais, infecções, prejudicarão seu desempenho.
Alimentação: uma boa alimentação é recomendável, no período da manhã: mamão com sementes, aveia, sucos de laranja, pão preto, geléias, frutas como banana, maçã, pêra.
Quando você corre, podem  aparecer pequenos hematomas, criados pelo impacto dos pés no solo, é a perda de ferro, procure se alimentar no almoço e no jantar com brócolis, feijão, soja, fígado, gema de ovo.
Massas, batatas, arroz, devem ser ingeridos até um dia antes da S. Silvestre.


Na semana que antecede a corrida:
dia 25   10 km terreno plano  tempo por km 5:20/5:40 ( correr longo e lento é o segredo)
dia 26   15 km terreno plano  tempo por km 6:00
dia 27     8 km terreno plano  tempo por km 5:00/5:20
dia 28    corra no parque do Ibirapuera ou em outro local aprazível, 500m forte x 500m e fraco ( 6 km )
dia 29    faça o percurso da prova apenas trotando suavemente para estudar o campo de batalha.
dia 30    trote leve de 3 km no período da manhã
dia 31    dia D, evite se expor ao sol, hidrate-se pouco pelo menos 50 minutos antes da corrida, o excesso de água é prejudicial, não converse muito, procure-se concentrar.
Caso você esteja colocado no grande bloco, o chamado "povão", não fique desesperado para ultrapassar ou ser ultrapassado, corra com tranqüilidade, verifique seu tempo dando o "start" do seu cronometro quando passar pelo tapete da saída, vá ultrapassando progressivamente sem ansiedade.
Com esta filosofia,  meus atletas conseguiram mais de 15 podiuns e classificações excelentes na São Silvestre e em dezenas de provas de rua, provas de pista, Olimpíadas, Troféus Brasil, Estaduais.
Excelentes fundistas aos quais agradeço o empenho e a dedicação e principalmente pela fato de termos compartilhado grandes momentos.
DESEJO A TODOS ELES, BOM NATAL UM MARAVILHOSO ANO NOVO, aos meus atletas:
 José Antonio Ferreira(Ferreirinha ), Moacir Marconi (Coquinho), Adilson (primo) Angélica, Vânia, Marisa, Rosinha, Zé João, Eliana Reinert, Diamantino, Amilcar, Alcides e Miguel Sarkis, Iris de Oliveira, Robert Anastásio, Antony Houser, Antonio Bezerra, Toledo, Joventino, Sergio Gregório, Dagoberto Proença, Edson Teodoro, Rubens Sivério, Luiz Carlos Lima, Paulo Porfirio,Benedito Donizeti, Lourival Ferraz, Bill, Soninha, Cleber Guilherme, Beker,Abel, Magrila, Conceição, Angel Aguillar, Firmino Coelho, Rildo de Mello,Dimas, Denilson, Cosme,Osmar Freitas, Moisés. 
Carlos Ventura - Carlão

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O exercício físico adequado

 O exercício físico é extremamente necessário para  a boa saúde  física e mental.

Sintomas de depressão e ansiedade excessiva são reduzidos consideravelmente com a pratica adequada da atividade física.
A memória, o humor são  melhorados, a atividade aeróbia como caminhar, trotar, correr, praticadas durante 10 a 12 semanas, pelo menos 2 a 3 vezes, influem na melhora de  estados  depressivos, os benefícios psicológicos como a redução do estado de estresse,  nivel de agressividade.
Toda a atividade cardiovascular é melhorada quando o individuo pratica exercícios aeróbios.
Entretanto exercícios praticados com muita intensidade, causam prejuízos a saúde, a alimentação inadequada, desequilibrada  podem causar doenças como aneroxia nervosa.
Muitos corredores, alem do treinamento diário, participam de competições todos os finais de semana, esta hiperatividade física leva indubitavelmente a problemas de anemia, a perda de ferro principalmente  com as mulheres corredoras.
Estados  de overtraning, como já citados,  normalmente ocorrem silenciosamente, quando o corredor percebe esta inserido no OVT.
As pessoas mais maduras, e às vezes um pouco fora de forma, sentem-se maravilhadas com seu desempenho com poucos dias de exercício, ficam determinadas a correr, se exercitar. O grau de endorfinas e encefalinas passam a ser altos, então ficam “viciadas” nos exercícios, nas trilhas, nas ruas, na esteira da academias,  seu principal alvo é o espelho.
É neste momento que o equilíbrio deve prevalecer, alguns corredores e corredoras, começam a se afastar da mesa, evitam se alimentar, acham que devem ficar macérrimos mais e mais.
Com tudo isto chega-se a problemas físicos, comprometendo a saúde.
Para quem quer fazer exercícios o principal é o equilíbrio o principal segredo para o sucesso.

Carlos Ventura - Carlão

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Overtraining (OVT)


Overtraining é uma designação do resultado do excesso de treinamento, este resultado pode ser físico ou mental.
O organismo do atleta recebe os reflexos negativos por inteiro como uma grande estafa. Normalmente isto ocorre quando o atleta não respeita os parâmetros de pausas e de recuperação adequados.
Corredores que ainda não atingiram o nível de alta performance devem respeitar um intervalo de pelo menos 12 a 14 horas entre uma atividade de treinamento ou de competição. À medida que os treinos ficam mais duros mais intensivos, mais cansativos, este intervalo deve ser prolongado.


Não respeitar esta sistemática acarretará estafa física e mental e o rendimento diminuirá pouco a pouco.
Segundo médicos especialistas da área esportiva, overtraining é o resultado de esforços muito intensos que ultrapassam a capacidade  do organismo  de se  recuperar, causando inclusive efeitos psíquicos.
O atleta pode apresentar todos ou alguns sintomas resultantes do excesso de atividade física, como aumento da freqüência cardíaca em repouso, demora da freqüência cardíaca após o exercício em voltar a normalidade do repouso, perda do apetite, insônia, perda de peso, ansiedade excessiva, depressão, irritação, sensação de fadiga, momentos de excessiva alegria, momentos  de falta de educação, comportamentos anti-sociais, aparecimento de pequenas lesões.
Ás vezes um excesso de atividade pode apresentar resultantes negativas muitos anos depois.
É recomendável durante todo o período de treinamento intenso, repouso, boas horas de sono, alimentação adequada.
Não existe na literatura cientifica, uma terminologia sobre OVT, pois pesquisadores não discriminam o processo de sobre carga no treinamento em longa duração também denominado como "stalaness".
Durante o processo de treinamento excessivo onde o atleta está motivado e ocorre o OVT, na seqüência  devido aos excessos  entra no processo de "burn out", é o momento que o individuo perdeu toda a sua motivação para correr, jogar, nadar, lutar, pode até abandonar o esporte.
Dentro deste polêmico assunto sobre excessos e suas conseqüências, pode acontecer o "overreaching" (OVR) que é um OVT de curta duração, um desempenho ruim devido uma sobre carga intensa, após um período de recuperação.
O técnico, o personal que prescreve uma planilha, um treinamento tem a mesma responsabilidade de um médico prescrevendo uma receita ou dando uma orientação.
O Educador Físico, também é da área de saúde.

Carlos Ventura - Carlão

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Saudades do Aramaçan...

Atletas do Aramaçan- S.Andre- JAI - S Caetano do Sul - 1960

Já se vão mais de 50 anos, eu era um garoto que gostava de esporte, morador da Vila Assunpção  em Santo André, estudante do Ginásio Santo André, saudades do professor Lazarine. A minha paixão por esporte me levou ao Aramaçan.
O cenário da minha saudade esta na lembrança de uma Vila Pires, uma pequena ladeira, uma portaria singela, as quadras de tamboréu ficavam a direita onde o Eugenio Rocco jogava. O lago ficava a esquerda onde podíamos remar e até chegar a uma pequena ilha.
Caminhando mais para o interior do clube, a direita ficavam as quadras de basquete freqüentadas por jovens, os irmãos Salvestrini, o Americano. A pista de Atletismo objeto de minha maior saudades tinha 300 metros, não era oficial, os vestiários eram de madeira, chuveiro com água gelada.
Como amante do esporte empreendi um esforço muito grande para ser aceito como militante do Atletismo.
Queria ser um dos pupilos do técnico de atletismo Romeu. Na prova de teste para ingresso como militante deveria correr 1000 metros para um tempo de 2m 40 segundos.
Busquei a melhor  preparação para  atingir o objetivo, após o período escolar as 22:30 horas ia a pé para a Vila Assumpção, me trocava e corria da Av. João Ramalho até a Companhia Brasileira de Cartuchos, que na época localizava se em Utinga, na divisa com São Caetano do Sul, fiz esta preparação diariamente durante um ano, contava para este treinamento empírico com o apoio de meu pai, Sr. Celestino que me acompanhava dirigindo um Morris Oxford verde garrafa. Foi aí que comecei a sonhar com a S. Silvestre. Chegou finalmente o dia do teste, Romeu com cronômetro na mão e eu tremendo. Dada a largada na pista de terra com 300 metros, estabeleci a marca de 2 minutos e 37 segundos, foi a primeira grande vitória, entrei para o time do Aramaçãn, mas a conquista tinha que ser reafirmada todos os meses através do rebimento de ticket, alvará para ter a entrada permitida nas dependências do clube.
Ademar Nagy, André Didone,João Jorge, Meneguetti, Getulio, Ciciá, Sábado, Ramires, Tarcisio, Elvira, Ivete, Astrid eram alguns astros da equipe, me senti feliz e certo que iniciaria uma carreira de corredor de fundo, mas os planos que o Romeu tinha para mim eram diferentes, me iniciou nas provas sobre barreiras, fui campeão estadual nos 110 e 400 metros sobre barreiras, integrava o revezamento 4 x 400 metros.
Lembro com carinho do Armando de Laura, do Serafim Rupolo, técnicos improvisados, do professor Paulo da Costa Resende, Clovis Nascimento, de cada um deles eu guardo uma lembrança especial.
O presidente na época era o Sr. Afonso Maria Zanei, que sempre me incentivou.
A nossas participações nos Jogos Abertos do Interior eram verdadeiras aventuras, desde a forma de transporte, íamos no caminhão do Delaura até a estação da Luz e de lá de trem para o interior, Marilia, Araçatuba, S. Jose Rio Preto.
O tempo passou, e o meu amor pelo esporte foi transformado em profissão, fiz Educação Física na FEFISA que se utilizava das instalações do Aramaçan para suas aulas práticas, quadras, pista, piscinas.
Quero de maneira publica externar meu agradecimento ao amado Aramaçan, que me propiciou desenvolver as minhas aptidões atléticas e consolidar a minha vocação como educador no campo esportivo, o que me trouxe reconhecimento nacional e internacional como técnico vitorioso, com inúmeras conquistas.

Carlos Ventura - Carlão

Tênis Adequado


O tênis é peça fundamental para o desempenho e segurança do corredor, correr melhor, correr mais rápido, melhorar sua performance.
A locomoção e os movimentos da articulação quando feitos excessivamente causam lesões, às vezes o peso do corredor também é responsável por isto, nesta circunstancia o tênis é de fundamental importância.
O aumento da pressão sobre a planta dos pés é responsável por lesões de fadiga ( tendinites ósseas, ligamentares).
O controle da estabilidade e a absorção do impacto são as características mais importantes do tênis para uma melhor adaptabilidade do corredor.
Movimentos pronunciados das articulações colaboram na diminuição da carga exigida do aparelho locomotor, quando excessivos e mal orientados são responsáveis pelo surgimento de lesões no tendão de calcâneo (Aquiles), joelhos e quadris, devido a tudo isso a necessidade de tênis adequados.
A principal preocupação na hora de adquirir um tênis é verificar sua capacidade de impacto no solo e não apenas sua flexibilidade.
A pressão plantar é a característica necessária que o tênis deve suportar para evitar lesões.
Sugiro que todo corredor tenha pelo menos dois pares de tênis.
Quando da escolha do tênis, a primeira observação do corredor é se ele é vistoso, bonito, colorido, devendo se preocupar com o solado, sê é mais grosso, mais fino, para o tipo de terreno que vai ser usado.
O tênis de sola mais fina proporciona ao corredor um melhor contato com o solo mais real, dando ao corredor mais firmeza e melhor condição de velocidade em provas de rua de 5 a 6 km.

Carlos Ventura - Carlão

domingo, 5 de dezembro de 2010

Muito “mimo” e pouco resultado

Marcia Narloch
Wanderlei Cordeiro


Vamos falar de falar de alta performance.
Estamos passando por um período relativamente longo de “entre safra”, onde verificamos uma escassez de resultados técnicos expressivos.
Hoje para ser reconhecido em uma prova pedestre não necessariamente precisará fazer um bom resultado técnico, um bom tempo comparativamente dentro de um ranking, basta se inscrever e terminar o percurso e receberá um kit que inclui também uma medalha.
Quando o fundo brasileiro tinha Parreira, Bergara, Adauto, Elói, Jose João, Diamantino, Coquinho, Ferreirinha, Serginho, Da Mata, Ronaldinho, Carmen, Angélica, Eliana Reinert  e muitos outros, havia em qualquer prova premiação com medalhas e troféus para os melhores classificados. Nas Seletivas da S. Silvestre os primeiros 300 colocados, normalmente entre uma média de 5.000 participantes, recebiam medalhas.
Esta forma de reconhecimento, meritocratica valorizava e motivava os corredores em busca de performances cada vez melhores. Para isso se dedicavam com maior afinco e disciplina.
Esta forma de trabalho repercutia consistentemente nos resultados de pistas e dos campeonatos oficiais Troféu Brasil, campeonatos Estaduais, etc com um número expressivo de participantes e com quebras constantes de recordes.
Hoje ao acompanharmos as competições oficiais de pista, vemos um número de participantes reduzido e com resultados compatíveis a 10,15 anos atrás, não houve evolução.
Ao mesmo tempo que isto ocorreu percebemos um aumento gigantesco nas participações de provas de rua por todo o Brasil, cresceu o numero de corridas e o grande contingente de corredores, que  é o publico que sustenta financeiramente e o marketing da  atividade.
Uma vertente esta bem estruturada, consegue-se atrair adeptos todos os dias, revistas, sites e profissionais estão fazendo um excelente trabalho para divulgar a pratica como atividade de saúde.
O que falta e é necessário para melhorar o aspecto do rendimento e renovação dos atletas de alta performance, e que isto possa refletir nos resultados de pista?

Como técnico de provas de fundo, faço um questionamento, quando teremos e onde estão os substitutos do Frank Caldeira, Marilson Gomes, Wanderlei Cordeiro, Márcia Narloch, Baldaia, Marili, Marisete ? Substitutos que façam resultados tão significativos quanto dos citados, não falo de número de provas de rua vencidas com resultados e tempos muito abaixo do esperado. Quem serão os nossos representantes na Maratona de 2016?

Carlos Ventura - Carlão

sábado, 4 de dezembro de 2010

Velocidade do fundista

Após o período de preparação básica onde o trabalho aeróbio foi fundamental, longas distancias e muitos quilômetros, chega o momento do corredor melhorar sua condição de velocidade, de ritmo mais forte.
Como parâmetro temos a São Silvestre dentro de 4 semanas, neste caso um ritmo mais intenso e mais velocidade é necessário.
Não existe formula para fazer de um corredor lento em um corredor veloz, ainda que a velocidade possa ser melhorada.
O ser humano possui fibras brancas ou fibras vermelhas nos músculos.
Quando os músculos possuem fibras vermelhas, suas contrações são mais lentas e potentes e não apresentam sinais de fadiga facilmente.
As fibras musculares brancas, contem menos mioglobina e são indicadas para velocidade e não para força, elas ficam fatigadas mais rapidamente.
A quantidade de fibras brancas ou vermelhas de uma criança recém nascida permanecerá por toda a sua vida e lhe dará característica.
A velocidade desenvolve-se de duas maneiras:passadas mais longas ou freqüências dessas passadas.

Para aumentar a freqüência é necessário desenvolver maior ação dos reflexos, melhor coordenação.
Para passadas mais longas é fundamental melhorar a potencia e a flexibilidade.
Exercícios de flexibilidade e de descontração devem ser feitos regularmente.
Os tornozelos merecem atenção especial, a maioria dos corredores de fundo não dão atenção aos exercícios para os tornozelos.
Devemos observar a flexibilidade de ginastas e bailarinos e desta forma imaginarmos a necessidade da flexibilidade para os corredores de fundo.
A técnica exige que a corrida seja equilibrada e descontraída, passadas, freqüências econômicas e eficientes.
Como já citei em alguns artigos e em meus livros, é fundamental que o corredor de fundo corra descontraído, não travado, bochechas soltas, mãos não fechadas, corra com suavidade,
Desta forma a melhora na sua capacidade de ritmo e velocidade poderá ser melhorada.
Faltam poucos dias para a São Silvestre com 15 km, sugiro então corridas em distancias de 8 a 9 km de forma mais suave e rápida.


Carlos Ventura - Carlão