quinta-feira, 17 de março de 2011

O Técnico X Médico

 






A responsabilidade em ser Técnico de Atletismo é muito grande, é uma atividade complexa, difícil e cheia de altos e baixos.
Aspectos dos mais inusitados cerceiam nossa função, a responsabilidade  profissional é similar a de um médico que analisa o paciente. Nós analisamos o atleta, o médico receita um medicamento, nós técnicos programamos treinamentos, entretanto existe uma diferença o médico não convive diariamente com o paciente, nós técnicos e treinadores, personais convivemos diariamente, "full time" com o atleta e ... até nos finais de semana, quando o médico esta com sua família nós estamos em competições.
O atleta sob nossa responsabilidade coloca sua saúde em nossas mãos da mesma forma que o paciente a coloca para o médico.
A responsabilidade do técnico é muito grande quando ele prescreve um exercício, seja de força, de velocidade e de resistência.
Porém algumas diferenças ainda podem ser observadas, o doutor médico às vezes extrapola de suas funções indicando treinamentos e entra inadvertidamente na área da Educação Física de uma forma inadequada, pois ele não é Prof. de Educação Física, esta atitude tem criado problemas no relacionamento Técnico-Médico e Médico-Técnico, na maioria das vezes o técnico não reclama por um complexo absurdo de inferioridade.
Seria muito importante que os médicos se posicionassem apenas na suas funções de médico.
Eu realmente jamais indicaria um antitérmico, um relaxante muscular ou qualquer medicamento, pois não sou  médico, mas também seria interessante que nossos capacitados doutores médicos não indicassem e programassem treinamentos sem antes consultar o treinador ou técnico, o professor de Educação Física.
Considero os médicos da área esportiva do Brasil os melhores do mundo, seria interessante a mesma consideração por parte desta classe tão importante e necessária par a o esporte e a população.
Esclareço que nestes muitos anos como Prof. de Educação Física na área técnica sempre recebi excelentes atendimentos médicos que atenderam de forma brilhante meus atletas, nunca interferindo nos treinamentos cito Osmar, Nabil, Cristiano,  Matsudo, Rubens,  Mauro,  Turibio,  Bosio, Russo (IT),  Pagliano (USA),  Dalzel,  Aurélio, talvez porque eu e minha equipe  soubemos escolher os mais capacitados e melhores parceiros na busca da melhor performance ,  sempre priorizando a saúde e o bem estar dos atletas.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Resultado de rua e pista

Como treinador de corredores há muitos anos e observando os resultados de nossos fundistas, sinto-me na obrigação de emitir parecer sobre a performance atual de atletas corredores de fundo.
Existe um grande hiato entre dois tipos de preparação do fundista.


Contamos nos dedos os atletas que fazem resultados tanto em pista com na rua.
A impressão que tenho é que nossos treinadores fogem da pistas com seus fundistas e devido a isto as performances acabam sendo discutíveis.
Meus fundistas também corredores de rua treinavam em pista semanalmente, por exemplo José João da Silva, duas vezes campeão da São Silvestre emais cinco podiuns nesta magna prova de rua e recordista em pista durante 17 anos nos 5km e 10 km.

Diamantino Silveira dos Santos, com passagem por três Olimpíadas ( Seul, Atlanta, Barcelona ) nas Mamaratonas e com inúmeros resultados em provas de rua, inclusive vencendo o corredor olímpico italiano Paneta na Meia Maratona de Milão, nunca deixou de treinar em pista.
No caso inverso minha atleta Rosa Maria Aparecida de Souza, especialista em pista nos 800m e 1500m sempre correu rua inclusive sendo uma das primeiras brasileiras a correr a São Silvestre.
Nossos treinadores e corredores devem saber que o treino em pista melhora a condição do atleta na rua e o treino em rua melhora a condição do atleta na pista.
Na verdade uma atividade complementa a outra.

terça-feira, 15 de março de 2011

DARWIN

O  atleta que melhor suportar a carga planejada de treinamento e conseguir tolerar todas as dificuldades que certamente advirão estará adaptando seu organismo a um processo de aprimoramento.
Segundo Darwin a seleção natural é o processo pelo qual os mais adaptados tem a melhor condição no seu meio ambiente, na verdade são os que desenvolvem mais positivamente suas qualidades.
O treinamento esportivo é um constante e diário processo de seleção. Sómente permanecem como aptos os que reunem o melhor conjunto de ferramentas tais como caracteristicas físicas, psicológicas, motivacionais, materiais e condições de educação.
O atleta vive uma situação de exame vestibular diario, muitos deles se esforçam, se dedicam, como fazem os estudantes para passar no exame vestibular, entretanto poucos conseguem, ficando assim delineada a primeira seleção.
Todos aqueles que passaram por esta primeira seleção com o decorrer dos treinamentos poderão ir ficando pelo caminho, pois não conseguirão superar as dificuldades, na verdade o topo da pirâmide vai ficando mais estreito dia a dia.
Muitos atletas acreditam que já fizeram o máximo de sua potencialidade, mas isto não é o suficiente, por isto os campeões são excessões, são singulares, são diferentes.
Desta forma chegamos a uma conclusão, atletas não são quebrados pelos treinadores ou por um treinamento bem equacionado, neste ponto é obvio que a seleção é feita daqueles que reunem os melhores resultados, as melhores performances para se chegar a um resultado de otimização.
Acredito que muitos atletas tem a necessidade que seus treinadores os orientem informando qual é o provável limite de cada um e até onde poderão chegar.
Muitos treinadores tem receio de acabar ficando com um número reduzido de atletas, evitando desta forma fazer comentários aos seus comandados falando de suas reais condições, mantendo-os no seu grupo na sua equipe mal sabendo que estão criando frustrações no futuro.
No atletismo, o resultado sempre é avaliado por estatisticas de corridas, de saltos, de lançamentos, de arremesso.
Devemos como treinadores pensar que uma quantidade de bufalos move-se sempre com a velocidade, com o ritmo do bufalo mais lento, portanto..........


boas corridas

quarta-feira, 9 de março de 2011

Álcool

O  álcool é uma bebida, um produto consumido sempre pela humanidade de alguma forma para festejar algum evento, para comemorar alguma vitória, por fim não combina com a atividade física.
Em jogos de rugby, presenciei após os jogos os atletas ingerindo cerveja, na Formula 1 os vencedores comemoram com champagne.
Participei por algumas vezes da Gasparilla, prova de 15 km na cidade de Tampa e após a corrida era distribuída aos atletas cerveja Budwiser, para eles isto é comum. Após a Maratona de Praga na Republica Checa, a comemoração e o jantar era feito em uma fabrica de cerveja, este tipo de atividade é de povo e cultura e educação costumeiramente aceito.
Entretanto a bebida alcoólica provoca problemas psicológicos, problemas físicos e problemas sociais.
Na nossa sociedade  a bebida alcoólica é utilizada como um produto, uma droga socializadora e entendida como cortesia para com os amigos, com os vencedores, com os pares sociais e políticos.
A média, que todos chamam de mídia, divulga a bebida alcoólica pelo radio, pelo televisão, por outdoors, sem respeitar a fronteira que deveria haver com as famílias e nossos jovens, tentando difundir a idéia que aquela bebida propagandeada é boa para o exercício físico, que melhora o desempenho.
Alguns atletas consomem álcool antes de eventos pelos efeitos ansiolíticos, ou por provável fonte de energia, tentando amenizar uma provável tensão pré-prova.
O álcool faz demorar o tempo de recuperação do organismo após uma atividade física, desencadeia a sudorese e a conseqüente desidratação, a fadiga e prejudica o estabelecimento de resultados.
O COI não considera o álcool droga proibida, nem dopante, porem ela é considerada de uso restrito sujeito a análise.
Há muitos anos atletas antes de Maratonas ingeriam álcool, destilados de frutas ou vinho, pois achavam que estas bebidas melhoravam o desempenho na prova.
O álcool e a atividade física não se coadunam, pois alem de distúrbios motores, alterações emocionais, também podem induzir a distúrbios hepáticos, levando com o tempo o desenvolvimento da cirrose hepática.
O consumo de álcool leva a hipoglicemia e também a hiperglicemia, dependendo do estado de jejum do corredor.
Atividades como corridas, natação, ginástica, futebol, que exigem tempo de reação, coordenação motora são prejudicados pelo uso do álcool de alguma forma.
Conclui-se então que o álcool é negativo durante e após atividade do atleta, prejudicando o rendimento físico e emocional.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Mulher

Dia 8 de março comemora-se o Dia Internacional da Mulher.
Nada mais justo que fazer algumas considerações sobre mulheres no Atletismo, pois acho que é uma forma de homenageá-las.
O atletismo brasileiro sempre foi pródigo no número de atletas mulheres de alta performance.
Odete Valentim Domingues esposa do saudoso Argemiro Roque um dos maiores quatrocentistas que tivemos. A Odete competiu sempre com muita garra nas provas de arremesso e lançamentos, esbanjava positivismo, ajudava e orientava até suas adversárias,  Angelina Boso - dentista lá de Lençóis Paulistas, uma arremessadora incrível, Rosa Maria Aparecida de Souza minha atleta de São Caetano do Sul espetacular nos 800 e 1500m chegou a seleção brasileira, a saudosa Elizabeth Clara Muller atleta inigualável nos primórdios do esporte base no Brasil, Vanda dos Santos olímpica em Londres, barreirista insuperável, Aida dos Santos também olímpica em Tókio, até hoje ajudando crianças a terem um boa expectativa na vida através do esporte,
Hortência de Fátima Marcari que com pouca idade competiu por São Caetano do Sul na prova de distancia e revezamento 4 x100 nos Jogos Regionais e depois tornou a maior jogadora de basket do mundo.
Inúmeros nomes também preenchem a constelação de brilhantes mulheres que elevaram e elevam o atletismo verde e amarelo como Conceição Geremias, Silvina das Graças Pereira, Esmeralda Freitas hoje uma talentosa dirigente esportiva, Maria Luiza Betioli, Soraya Vieira Telles, Marli dos Santos, Thea Reinhart, Claudia Aparecida Adolfo, Veronika Bruner,  Viviane Louise Nouvailhetas, Marli Alves Cardoso a primeira brasileira a correr os 400 metros sobre barreiras em agosto de 1979, Elizabeth Candido Nunes, Themis Zambrizcki, Beatriz Bonfim, Maria Aparecida de Jesus, Maria do Carmo Custódio, Sonia Maria de Oliveira grande corredora de Maratonas, Eliana Reinert veio de Santa Catarina para vencer nas ruas de  São Paulo,  Aparecida Adão legitima representante de Piracicaba, Ademilde Freire, Vera Alice Silva a Verinha, Eliana Bergara, Valdete Constantino da Silva primeira mulher a correr uma prova de 3000 em pista no Brasil  no Esporte Clube Pinheiros pelo GM Esporte Clube em 1974, Maria Betânia Lopes Leite, Marisa da Silva, Magnólia Figueiredo, Yolanda Van der Craaf,  Lilian Riedel, Angélica de Almeida, Magaly Helena Lopes, Zuleica Nabiah de Freitas, Carmen de Oliveira.
Hoje temos excelentes mulheres campeãs como Maurren Maggi, Marizete Moreira, Marizete Resende, Maria Zeferina Baldaia, Fabiana Murer, Marili dos Santos enfim elencar todas nossas atletas seria algo muito difícil, entretanto quero parabenizar todas elas. Tive a felicidade de treinar ou conviver com  grande parte dessas valorosas mulheres que foram e são verdadeira campeãs. 
Meus cumprimentos a todas  mulheres neste próximo 8 de Março de 2011.